Outras Cefaleias - Dra. Maria Eduarda Nobre
Dra. Maria Eduarda

Outras Cefaleias

A Sociedade Internacional de Cefaleia, desde 1988, estabeleceu critérios diagnósticos que vêm sendo modificados ao longo dos anos, a partir dos novos conhecimentos que surgem a cada ano na área de cefaleia. Sua versão mais atualizada é a ICHD – 3 beta (The International Classification of Headache Disorders-3rd Edition -betaversion). Publicada na Cephalalgia em 2013 (Cephalalgia 33(9): 629–808), é a versão mais atualizada da classificação e estabelece os critérios diagnósticos que devem ser utilizados por todos os médicos.

 

Migrânea ou Enxaqueca

De todos os tipos existentes de cefaleia, a migrânea ou enxaqueca é a que mais causa impacto na qualidade de vida de seus portadores. O prejuízo na vida social e econômica dessas pessoas é imenso. Estima-se, apenas nos Estados Unidos, que os custos diretos provocados por consultas, remédios e médicos estejam em torno de U$10 bilhões anuais. Se pensarmos em custos indiretos provocados por faltas ao trabalho e perda da produtividade, as cifras totais sobem para U$27 bilhões anuais.

A migrânea, além da dor, causa fobias sensoriais, mal- estar, náuseas, por vezes vômitos, debilita e impede qualquer atividade. O pico de incidência coincide com a fase de pico profissional, principalmente nas mulheres.

Há meios eficazes para reduzir sua frequência, intensidade e duração. O tratamento preventivo provoca reflexos positivos no bem-estar e na produtividade do indivíduo e deve ser indicado nas seguintes situações:

– Migrâneas recorrentes que interfiram significativamente na rotina diária, apesar do tratamento abortivo

– Crise com frequência superior a duas vezes por semana

– Falha ou uso excessivo de medicamentos abortivos

– Presença de quadros mais atípicos, como migrânea hemiplégica, migrânea basilar, migrânea com aura prolongada ou infarto migranoso e na prevenção de sequelas neurológicas, conforme consenso dos especialistas.

A escolha do tratamento farmacológico a ser utilizado deve basear-se na eficácia, efeitos adversos, contraindicações, intensidade e frequência das crises, presença de sintomas e sinais associados e no tempo necessário para que o medicamento atinja a sua eficácia máxima.

 

Uso excessivo de analgésicos

Para acabar com o sofrimento da dor, grande parte da população adquiriu o péssimo hábito de consumir analgésicos exageradamente. Em busca do alívio imediato, tomam-se esses medicamentos sem prescrição ou acompanhamento médico. Estudos indicam que alguns indivíduos chegam a consumir de 14 a 30 comprimidos por semana, sendo que alguns tomam de 10 a 12 por dia. No entanto, tomar esses medicamentos mais de duas vezes por semana representa um sério risco para a saúde, pois o exagero na medicação altera o sistema analgésico do próprio organismo e anula seus efeitos. Ou seja, o uso de analgésicos acima da dose semanal, durante três meses seguidos, induz a cronificação da dor. A dor que vinha duas vezes na semana, passa a vir três vezes, quatro vezes e, em algum tempo, pode se tornar diária. Além disso, o excesso desses remédios causa cansaço excessivo, náusea, agitação, ansiedade, irritação, problemas de memória, dificuldade de concentração, depressão, insônia e em um estágio mais avançado, pode causar até úlceras gástricas e hepatite medicamentosa. Portanto, a melhor solução é a suspensão dos analgésicos e o tratamento preventivo com medicamentos que vão agir na causa da dor.

 

Não deixe de procurar um especialista no assunto para fazer o tratamento correto

O auxílio médico é indicado para um diagnóstico preciso.

As formas como as dores de cabeça se apresentam também podem indicar o momento de procurar um neurologista: dores de cabeça frequentes ou intensas, ocasionando perda de qualidade de vida, dor de cabeça de início recente, dor de cabeça diferente da pré-existente, dor de cabeça iniciada em indivíduos com mais de 50 anos, dor de cabeça associada a outros sintomas como febre, vômitos, rigidez do pescoço, crises convulsivas, paralisia facial, confusão mental ou queda da pálpebra. Dores de cabeça que ocorram durante esforço físico, atividade sexual ou tosse também devem ser investigadas, embora existam formas benignas dessas cefaleias

Para amenizar as crises em geral e diminuir a necessidade de medicamentos analgésicos, existem algumas dicas eficientes:

– pode-se aplicar uma pomada à base de cânfora nas áreas da dor;

– colocar uma toalha umedecida com água gelada sobre a região afetada ou mesmo pequenas bolsas de gel geladas (não congeladas);

– evitar comer ou beber no momento da crise, para evitar náusea e vômito.

– se o quadro estiver avançado, a pessoa deve parar o que está fazendo, procurar um local fresco e escuro para recostar (sem se deitar).

Outra dica, para ser feita fora do momento da crise, é praticar exercícios aeróbicos regularmente, pois essa prática aumenta a produção das endorfinas, nosso analgésico endógeno, Estudos recentes comprovam que o exercício tem o papel de um tratamento profilático e promove uma melhora significativa na incidência de crises.